Três cidades, três estados e dois países: rua no Paraná permite cruzar fronteiras em poucos passos
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Paranaense conta como é morar em cidade com três fronteiras
Em Barracão, cidade no sudoeste do Paraná, bastam poucos passos para trocar de cidade, estado e até mesmo de país. Na cidade, a Rua República Argentina liga, em um único traçado, três cidades, três estados e dois países, são eles Barracão, Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e Bernardo de Irigoyen, na província de Misiones, na Argentina.
Não há rios, pontes ou grandes marcos que separem os territórios. A fronteira é urbana, quase invisível e a travessia faz parte do cotidiano dos moradores. Em poucos passos, o português nas placas dá lugar ao espanhol e as bandeiras trocam de cor.
"Morar em uma cidade de três fronteiras é uma experiência de vida única e multicultural, pois você pode estar em três cidades e dois países diferentes [...] têm-se uma mistura todos os dias entre os brasileiros e argentinos", conta Rodrigo de Oliveira, de 26 anos, morador de Barracão.
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O município de Barracão tem cerca de 10 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dionísio Cerqueira, onde está a maior parte da rua, tem pouco mais de 15 mil. Na prática, porém, os moradores vivem como se estivessem em uma única cidade. Muitos atravessam a rua diariamente para trabalhar, comprar, estudar ou visitar parentes.
Rodrigo é uma dessas pessoas, apesar de morar no Paraná, ele visita diariamente lojas e faz consultas médicas em Santa Catarina. Quando busca momentos de lazer, Rodrigo atravessa a fronteira para a Argentina.
"Como aqui em Barracão não tem um espaço pra lazer ao ar livre, muitas pessoas, inclusive eu, preferem ir ao lago com família no final da tarde para conversar e descontrair", diz.
Marco delimita território das três fronteiras
Rodrigo de Oliveira
Ele trabalha em um supermercado e conta que cerca de 60% dos funcionários são argentinos.
"Muitos deles vêm ao Brasil a trabalho em busca de melhores condições de emprego, isso acaba fortalecendo nosso comércio local e nossa economia", diz Rodrigo.
"Trabalhando com pessoas de outros países a gente aprende espanhol, eles têm mais facilidade em falar em português e eu acredito que isso ajuda muito na nossa fronteira, para que nosso comércio siga crescendo", diz ele.
Cidades gêmeas
Desde 2016, as duas cidades são oficialmente reconhecidas como “cidades gêmeas” pelo Governo Federal. O título é dado a municípios de fronteira que compartilham não só o território, mas também a economia, os serviços e a vida cotidiana.
No Paraná, também têm esse status as cidade de Foz do Iguaçu, Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste. No país são 33 cidades com o título.
Diferente da famosa tríplice fronteira de Foz do Iguaçu, onde rios marcam o encontro entre Brasil, Argentina e Paraguai, em Barracão a divisão acontece no asfalto. E, ao contrário de grandes postos de controle, o pedestre atravessa de um país a outro sem precisar mostrar documentos.
Um dos pontos mais simbólicos da região é o Marco das Três Fronteiras. A poucos metros da rua, o monumento marca o encontro dos territórios.
Marco das Três Fronteiras em Barracão
Asscom/ Prefeitura de Barracão
No marco, imagens de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e da Virgem de Luján, padroeira da Argentina, ficam posicionadas frente a frente, separadas por cerca de 300 metros. Cada uma das imagens está voltada em direção ao seu país de origem.
Para quem cruza de carro, há fiscalização e passagem obrigatória pela aduana. Mas a pé, o caminho é livre. É por isso que muitos brasileiros estacionam em Barracão e atravessam andando para comprar vinhos, azeites, doces e outros produtos do lado argentino.
"Muitos brasileiros vão para a Argentina fazer compras, por ser uma fronteira seca de fácil acesso, vamos diariamente ao país", diz Rodrigo.
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