Atleta brasileiro percorre 270 km em ultramaratona considerada 'uma das mais difíceis do mundo' no Deserto do Saara

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Atleta brasileiro percorre 270 km em ultramaratona no deserto do Saara O atleta Rafael Vinocur, de Itu (SP), concluiu a 40ª edição do Marathon des Sables (MDS) Legendary, considerada uma das ultramaratonas mais difíceis do mundo. A prova foi realizada no Deserto do Saara, entre os dias 3 e 13 de abril. Durante seis etapas, o corredor enfrentou calor extremo, tempestades de areia e autossuficiência por 270 km. A corrida reuniu cerca de 1.500 atletas de 60 países. Destes, apenas cinco eram brasileiros. O regulamento exige que os competidores levem na mochila tudo de que precisam para sobreviver, como água (fornecida pela organização), alimentos e saco de dormir. O peso da carga varia de 6,5 kg a 15 kg. O abrigo é feito em tendas compartilhadas. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Corredor de Itu (SP) conclui ultramaratona de 270 km no Deserto do Saara Reprodução/Fernanda Vinocur "No meio do Deserto do Saara, é totalmente remoto. A minha mochila acabou sendo bem pesada, tinha cerca de dez quilos e meio. Esse foi um dos desafios com o qual eu não estava acostumado", conta Rafael. "O mais difícil dessa prova são as condições. Por você estar no meio do deserto, tem um calor bem forte. Correr na areia é muito difícil, não estava acostumado e eu imaginei que fosse uma terra mais batida, mas grande parte da prova foi duna, então é bem difícil de correr", completa o atleta. Atleta brasileiro percorre 270 km em ultramaratona considerada 'uma das mais difíceis do mundo' no Deserto do Saara Reprodução/Marathon Des Sables Legendary A prova é realizada no Marrocos ao longo de 11 dias, sendo nove deles diretamente no deserto, com os 270 km divididos em seis etapas. As distâncias percorridas por dia variam: 1ª etapa: 35 km; 2ª etapa: 40 km; 3ª etapa: 29 km; 4ª etapa: 100 km (divididos em dois dias); 5ª etapa: 42 km; 6ª etapa: 23 km. Travessia pelo deserto é realizada em 11 dias no Marrocos, sendo nove deles no deserto, em um percurso de cerca de 270 quilômetros dividido em seis etapas Reprodução/Fernanda Vinocur Rafael levou 25 horas consecutivas para concluir o trecho de 100 km, enfrentando forte tempestade de areia e cansaço. "Essa etapa foi bem difícil. Estava com muito sono, eu tinha dormido três horas na noite anterior, então estava praticamente dormindo enquanto corria. Cheguei a quase desmaiar no final, mas eu consegui me manter correndo com outro brasileiro que tinha achado no caminho, e isso ajudou a terminar e a manter um ao outro acordado", conta Rafael. LEIA TAMBÉM: Empresário enfrenta 'mal da montanha', encara 'trilha de boi' e leva bandeira de cidade do interior de SP ao Campo Base do Everest Bailarina com paralisia cerebral luta por cirurgia de R$ 110 mil para aliviar dores e sonha em andar Entre azulejos e silêncios: artista de Sorocaba usa reflexos para retratar intimidade no pós-pandemia Impactos na saúde O nutricionista Gustavo Buzzo, do Hospital São Vicente, de Jundiaí (SP), explica que correr sob essas condições expõe os atletas a riscos que vão além do cansaço. Os principais perigos são a desidratação severa, o desequilíbrio de sais no organismo, a hipertermia e o golpe de calor, que pode ser fatal se não houver atendimento rápido. O especialista aponta ainda o risco de lesões musculares graves, como a rabdomiólise, que é o processo de degradação do músculo, o que pode sobrecarregar os rins, além da queda da imunidade, lesões nas articulações e problemas nos pés. Ultramaratona reuniu cerca de 1.500 atletas de 60 países diferentes, dos quais apenas cinco eram brasileiros Reprodução/Marathon Des Sables Legendary "Uma coisa que foi um desafio para a maioria das pessoas foram as bolhas. Eu conheci um brasileiro que teve mais de 40 bolhas no pé. Lá tinha uma barraca própria para curar as bolhas", relembra Rafael. Ainda conforme Gustavo, o estresse físico e a falta de sono liberam altos níveis de cortisol e adrenalina. Isso pode causar confusão mental, alucinações e perda de coordenação motora, além de aumentar o risco de lesões. O nutricionista também alerta que dormir menos de quatro a cinco horas por noite em condições extremas reduz o desempenho e pode causar perda de massa muscular. Corredor de Itu (SP) conclui ultramaratona de 270 km no Deserto do Saara Reprodução/Fernanda Vinocur Atleta brasileiro percorre 270 km em ultramaratona considerada 'uma das mais difíceis do mundo' no Deserto do Saara Reprodução/Marathon Des Sables Legendary "Eu passei antes da prova em um médico para realizar exames, que eram necessários para participar. Durante o evento, fui à tenda médica apenas uma vez por causa de uma dor no tornozelo. Depois da prova, fiz exames de sangue para ver se estava tudo certo, e passei por fisioterapia", explica o atleta. A organização exige a apresentação de documentação médica impressa, datada e assinada para a inscrição. Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Júlia Martins Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/05/01/atleta-brasileiro-percorre-270-km-em-ultramaratona-considerada-uma-das-mais-dificeis-do-mundo-no-deserto-do-saara.ghtml


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